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O vitiligo é uma condição crônica caracterizada pela despigmentação de algumas partes da pele e ocorre quando os melanócitos – células responsáveis pela produção de melanina, morrem ou deixam de funcionar. A causa dessa doença até hoje não é clara, mas os fenômenos autoimunes são os mais associados à condição. Fatores emocionais também podem estar diretamente ligados ao agravamento e a evolução do vitiligo. 

Portadora de vitiligo, Bruna S. é dona do projeto Minha Segunda Pele que busca contar sua experiência e aconselhar quem é diagnosticado com a doença e procura informações e auxílio na internet. Através de fotos inspiradoras, ela encontrou na criatividade uma forma de expressar sua individualidade de forma poderosa e demonstrar seu empoderamento. Ela contou para a Casa Beta algumas coisas sobre o projeto e sobre a vida: 

CB: Há quanto tempo e porquê você decidiu que era importante a criação desse tipo de projeto?

  • Eu demorei muito tempo para aceitar o vitiligo, eu tenho desde os 18 e hoje estou com 32. Na época eu fiquei muito triste, muito mal, como se a minha vida tivesse acabado ali, eu não seria mais amada, não seria mais desejada, ficaria feia. Eu sofri muito negando o vitiligo, até que começaram a vir as boias salva vidas: uma amiga falou que minha mão parecia uma jabuticabeira que tinha perto do trabalho e me pediu pra tirar uma foto. E eu sempre amei muito a fotografia. Então quando descobri que eu tinha algo que era especial e tão meu, eu quis começar a retratar o vitiligo e fui inspirada pela minha mãe que dizia que “a arte sublima a dor”. Desde então eu comecei a registrar essas fotos e ver beleza em ter vitiligo. Mas ainda assim, eu não me aceitava no dia a dia, eu tinha vergonha, as pessoas me passavam receitas de cura ou algo para esconder, então era como se eu tivesse algo muito errado. Eu havia marcado uma cirurgia de enxerto – que é remover uma parte saudável da pele e implantar na mão, e a única certeza que eu tinha era que doeria mais uma vez. Eu já tinha feito muitos tratamentos agressivos, então eu parei pra pensar no porquê de eu estar fazendo isso comigo de novo, porque eu estava me machucando. Era só uma pele, minha pele, só um tom de pele diferente e decidi que a partir dali eu não iria mais me machucar. Foi então que eu fiz um post no Facebook dizendo isso e a resposta das pessoas foi super positiva. Naquele momento eu me livrava do maior preconceito, que era o que eu mesma sentia por mim. A partir disso, decidi fazer um projeto que ajudasse outras pessoas também se aceitarem de alguma forma, porque quando eu descobri o vitiligo, a única referência que eu tinha era o Michael Jackson, que era muito distante daquela menina Bruna. O Minha Segunda Pele foi o primeiro projeto, o primeiro blog, o primeiro canal para ajudar as pessoas a se aceitarem, verem que está tudo bem e contar também como foi a minha caminhada. 

CB: Quais são os pontos você considera como mais importantes no projeto?

  • A ideia de ajudar outras pessoas atuando como uma referência positiva, mostrar que buscando na internet elas vão encontrar mais do que formas de tratamento ou como esconder as manchas, mas sim como se aceitar. O fato de ser uma pessoa comum divulgando sua história e compartilhando sua dor, acho que cria uma ideia de identificação. É comum receber mensagens de pessoas dizendo que se identificaram, que se sentiram mais calmas, mais tranquilas. Então acho que o projeto tem sido uma referência pra quem tem o vitiligo e pra quem não tem também! Já que é um canal ainda para as pessoas se informarem, uma vez que a doença ainda seja pouco conhecida, pouco estudada. Então eu compartilho várias informações que eu consigo estudando e conversando com muitos especialistas que ajudam a esclarecer algumas dúvidas comuns. 

CB: Qual a mensagem que você deseja passar para as pessoas através do projeto?

  • A mensagem que eu pretendo passar é que vai ficar tudo bem. Não precisamos nos esconder. É muito triste passar um tempo da vida não se aceitando, odiando sua pele, escondendo atrás de roupa, com maquiagens. Quero mostrar que é bonito ter e tá tudo bem em mostrar.

CB: Qual o conceito por trás das imagens do projeto, tem alguma temática específica?

  • Eu tento deixar as imagens da forma mais poética possível, com um olhar mais sensível para o vitiligo. Por exemplo, eu amo viajar e ao invés de uma selfie minha, eu decidi registrar sempre minhas mãos segurando algum ponto importante, algum monumento da cidade. Então acho que tem essa sensibilidade, não é uma exposição gratuita, é a busca por algo mais poético, busca por mostrar a beleza do vitiligo. 

https://www.instagram.com/p/Bx-vRwgnHrK/

CB: Qual a sua principal inspiração?

  • Acho que minha inspiração são as pessoas, que sofrem, as pessoas que me escrevem. Minha inspiração não é uma só pessoa ou um só personagem, são as pessoas que estão em sofrimentos, são por elas que eu tento fazer alguma coisa. Na época que eu descobri o vitiligo, eu achei que era uma espécie de castigo, por ser vaidosa. Eu era super novinha, com 17 anos, então estava no auge da vaidade. Mas hoje eu vejo como um presente, uma missão que eu tenho pra poder ajudar outras pessoas de alguma forma. 

CB: Você tem algum projeto futuro, algo que ainda deseja realizar com o projeto?

  • O projeto futuro na verdade é crescer, se ampliar, não ficar só no vitiligo. Comecei agora uma série de entrevistas, por exemplo. Tentar sair também um pouco do estético, que por mais que agora tenham mais gente falando sobre o vitiligo ainda é uma coisa muito visual, a história da pessoa com uma foto dela. Então eu quero ir além, quero sair dessa ideia de ser uma influenciadora e ser uma pessoa que realmente passa informação relevante. Pra isso tenho estudado bastante pra ir além, não quero ficar presa somente a uma plataforma, pretendo extrapolar o online e ir também para o offline. 

https://www.instagram.com/p/BxgB5dCHN0l/

Conheça o projeto Minha Segunda Pele em todas as plataformas e se inspire em uma mulher poderosa e seu projeto inspirador!