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Para muitas pessoas, escrever às vezes pode parecer um bicho de sete cabeças. Ficamos sem saber como combinar as palavras, onde colocar as rimas, de que forma podemos passar para o papel tudo aquilo que sentimos e desejamos. A verdade é que não existe um jeito certo ou errado para combinar as letras, nem uma fórmula para criar frases que façam sentido nesse caminho da escrita criativa. Entender isso já é um grande passo para começar a preencher as linhas do papel em branco. 

A escrita criativa e afetuosa surge justamente desse desprendimento de regras e medos que, no fundo no fundo, só servem para travar a nossa criatividade e colocar um monte de amarras na nossa imaginação. Escrever também é isso: se libertar de crenças, das vozes que dizem que não daremos conta e dos próprios traumas que criamos ao longo da vida. 

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Mas, claro, existem algumas coisinhas que podemos fazer para mandar todos esses obstáculos embora e nos aventurar com determinação pela escrita criativa. Não são dicas, nem truques, nem regras pra gente seguir de uma forma dura, difícil. Mas são coisas pequeninas que, juntas, podem ajudar a tirar do caminho aquilo que nos trava e a escrever com o coração. Tá com papel e lápis na mão para começar a rabiscar as primeiras linhas? 

Escreva um pouquinho todos os dias

Mesmo que não tenha inspiração, mesmo que não haja nada de novo para contar, é essencial que se escreva ao menos um pouquinho por dia. Uma frase, uma linha, um poema, um verso. O importante é ter esse costume diário de tirar ao menos vinte minutinhos de qualquer momento do seu dia e colocar cada vez mais as palavras dentro da sua rotina.

Não se preocupe em reler ou apagar

Nem em consertar erros. Deixe essa parte lá pra frente, em um segundo momento: o da revisão. É que quando você pára para apagar ou mudar algo daquilo que está escrevendo, você interrompe o seu processo criativo, paralisando-o bem no meio. E pode ser que não consiga mais voltar de onde parou, gerando uma quebra de criatividade e contexto. Então, prossiga! Muitas coisas vão parecer ruins enquanto as escrevemos, mas o importante é deixar que as palavras venham e que depois a gente dê os toques finais, amarre as ideias e deixe o texto mais redondo.

Crie o hábito da leitura

Eu sei que tem dias em que a gente não quer muito ler nada. Bate uma preguiça, né? Mas ter contato com a palavra e a escrita, em diversos estilos e gêneros, ajuda e muito em nosso processo de criatividade. Livros, revistas, jornais. Não importa o que você escolha, mas ler o que outras pessoas escreveram e se informar das coisas que acontecem no mundo, é também uma forma de descobrir o que gostamos, recolher referências, aprender sobre pontuação, concordância e estilos de escrita, além de manter o cérebro ligado e atento.

Observe o que há em volta

A rua, as pessoas, as coisas que fazem parte do cotidiano: tudo é movimento e alimento para a nossa criatividade. Lembre-se de que as melhores histórias não moram nas coisas grandes e extraordinárias, mas sim na nossa capacidade de dar vida ao cotidiano, às coisas miúdas que tantas vezes passam despercebidas por nós. Ouça, converse, se interesse pelas pessoas. Todo bate papo pode ser, em algum momento, alimento para sua escrita.

Tenha um tempo para você

Escrever também é se ouvir, dar voz ao próprio coração e colocar para fora tudo que você guarda por dentro. Já parou para pensar que algo que aconteceu com você pode contribuir para o seu crescimento e também de alguém que você nem conhece? A palavra é encontro e, quando a escrita criativa também vem do coração e daquilo em que acreditamos, a chance de fazermos a diferença à nossa volta, realmente passa a existir e ser uma realidade em nosso caminho

Não tenha medo da palavra

Esqueça se já disseram que escrever é difícil ou um dom. Qualquer um pode escrever e promover um encontro dentro de si mesmo por meio da palavra. É só acreditar no amor e na força delas. Escrever é um exercício diário e não deve ser algo doloroso ou pesado demais. Deixe a imaginação solta, o coração tranquilo e liberte-se dos medos, compreendendo que eles também são parte do nosso processo de aprendizado. E escreva!

Dica de leitura

“Como se encontrar na escrita”, da jornalista Ana Holanda. O livro, publicado pela editora Rocco, é um auxílio leve e delicado pra caminharmos pelas linhas da escrita de forma autêntica e livre. Vale a pena!

Texto de Débora Gomes