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Conversamos com a designer e pintora Thaís Mor, que tem um ateliê próprio, onde desenvolve peças em porcelana e cerâmica totalmente artesanais, modeladas e pintadas à mão. Falamos sobre o processo criativo de Thaís e sobre a pintura em porcelana, arte que tem crescido no país com uma nova pegada.

Pintura em porcelana

Dá só uma olhada no que a Thaís contou para gente sobre seu processo criativo.

Casa Beta – O que a porcelana despertou em você?

Thaís Mor – Eu nasci dentro de um ateliê. Minha mãe era pintora e dava aula de pintura a óleo. Quando eu tinha 10 anos, ela fez uma exposição junto com uma pintora de porcelana. Quando vi as peças de porcelana, fiquei encantada com as flores. Eu era menina e sempre amei pintar. Pedi para minha mãe para pintar porcelana. Com 11 anos, comecei a fazer aula. Fiquei seis anos tendo aula toda semana. Ficava lá, com as velhinhas, pintando flores.

Eu sou uma pessoa muito expansiva, muito comunicativa. E a porcelana é um processo totalmente introspectivo. O que mais me encanta é esse tempo. Na hora que estou pintando, crio num momento totalmente meditativo. Outra coisa que me encanta é que a porcelana está no dia a dia. É uma arte utilizada, não fica parada.

CC – Você disse que fazia aula com velhinhas. Há uma tendência, hoje, em resgatar as artes manuais para o público mais jovem. Como você enxerga esse fenômeno?

TM – Eu vejo essa repaginada no bordado, no crochê, na colagem, na ilustração. Vejo repaginada em tudo exatamente porque a gente está perdendo isso. Teve um gap de geração. A geração dos nossos pais não aprendeu. Quando a gente chegou, pensou: “vamos perder tudo que nossas avós sabiam?”. Acho que as pessoas estão buscando coisas que têm sentido. Hoje, eu dou curso, e minhas alunas estão todas entre 20 e 40 anos. São pessoas, geralmente, que trabalham muito e que sentem esse buraco.

 

Dia 28 de maio é dia do ceramista. Eu nunca consegui me encaixar em rótulos. Descobri que a minha sina é a pintura desde muito cedo e agora incorporo isso completamente nos utilitários. E nada faço sem pensar nos parâmetros do design: estética + funcionalidade. No entanto a imersão no mundo da cerâmica me tornou uma profissional diferente. O ofício exige dedicação, paciência e muita pesquisa. É uma entrega total para inúmeras possibilidades. Às vezes brinco de cientista com meus testes… Então junto tudo no meu “baú mágico” e transformo, através das cerâmicas, histórias que vão até a mesa de cada um. Porque para mim a arte tem que ser acessível e fazer parte do nosso dia-a-dia. É por isso que a cerâmica me encanta tanto! E é 100% feita à mão. Uma história que deu certo com a energia de gente. Isso que importa! #ceramicadealtatemperatura #ceramics #ceramicaartesanal #thaismoratelier #feitoàmão #handmade #hechoamano 📸@isadoraphotographie

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CC – Qual a atual situação do mercado de porcelana?

TM – A porcelana imprime muito bem a arte contemporânea e suas mil possibilidades. Ela é um suporte tridimensional, em que você consegue aliar forma e cor. Vejo a porcelana como um presente. Como pinto há muitos anos, dei muitos presentes na vida. Até hoje, as pessoas falam de presentes que dei há mais de 10 anos. Elas se lembram do jogo que pintei. A pessoa que recebe nunca esquece. A porcelana é muito mais que estampa ou pintura. Ela é usada no dia a dia.

 

CC – Como você escolhe as cores e as formas? Criar é difícil?

TM – É difícil falar de processo de criação. Para mim, cada coleção, cada peça, cada pintura nasce de uma experiência diferente. Algumas eu sento para pensar. Mas, as que mais dão certo são as que vêm naturalmente. O processo de criação é um processo de percepção. A gente não cria mais nada. Já foi tudo criado. A diferença é observar e sentir o que está acontecendo.

Observo muito o comportamento humano, o que as pessoas querem, o que desejam, do que estão falando. Porque eu tenho que interferir nisso. A arte tem que transcender, levar as pessoas a outro universo. Meu processo criativo passa por escutar amigos, pelas viagens e por muitas pesquisas. Se você quer ser original, tem que voltar à sua origem, como diz Amílcar de Castro. Processo criativo é olhar para fora e voltar para dentro, ver o que é seu, achar seu estilo.

CC – Quais são suas principais referências no trabalho?

TM – Comecei meu trabalho com Minas Gerais e Brasil. Agora, vou lançar uma coleção nova, que se chama Cura. Ela tem a ver muito com a experiência pessoal de relacionamento humano, a intenção que se coloca para o outro, o que você quer reverberar na sua vida. É mais amplo.

 

Sabe daqueles encontros que somam, transformam e nos faz mais feliz? Taí! Além de tudo isso, esse pratinho virou coleção REssignificar da @contembolo à venda na @soisplato #Repost from @contembolo with @regram.app … Tem muita história nesta foto de hoje. Ela fala de uma amizade que vem sendo construída há alguns poucos anos… Ela fala de troca, de confiança, de respeito, de força, de superação, de apoio, de admiração. Ela fala dos encontros e desencontros. Fala de barroco e minimalismo. Claro! Fala de gratidão, de Minas, de flor, de amor… Fala de Thais e Amanda. Essa foto fala com o coração. Obrigada por tanto escutar e principalmente, obrigada por saber silenciar @thaismor_atelier ! 💗

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Sou pós-graduada cool hunting. Fiz o curso na Europa, durante um ano, em Barcelona. Quando voltei para o Brasil, queria entrar na indústria têxtil ou trabalhar em agências de pesquisa. Mas, eu fiquei muito decepcionada quando voltei. Comecei a perceber que várias empresas copiavam o que está lá fora. E cool hunting não é isso. A metodologia que aprendi é observar antropologicamente para entender o processo humano e fazer uma coisa nova. Aí, pensei: “não é isso. Não vou copiar os outros”. O ser humano tem potência de ressignificar, transformar as coisas. É uma profissão muito desejada. Mas, minha sina é ser artista. Porque artista é pesquisa, percepção, escutar o outro, unir duas pontas que, no dia a dia, não se encontram. É entender que a indústria petrifica a gente. A gente fica refém fica de um sistema, e só a arte é capaz de quebrar isso.

Acho que meu processo de criação é muito antropológico, de onde eu venho, por isso tem muito Minas, muito Brasil. Mas, sou muito conectada com o mundo. Isso tudo enriquece meu trabalho.

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